Como é voltar de um intercâmbio?

Como é voltar de um intercâmbio?

Faz um mês que estou comendo arroz com feijão todos os dias e Deus abençoe esta realidade, mas não é fácil voltar para casa depois de tantas mudanças. Só quem faz intercâmbio sabe qual é a sensação de retornar ao lar depois de tanto tempo longe.

Logo que cheguei, toda vez que alguém me perguntava como eu estava me sentindo, a resposta era: “esquisita”. E é verdade. A gente se sente um estranho no próprio ninho. Coração apertado e alma dividida nem começam a descrever. 

Rever família e amigos é algo mágico. As lágrimas e abraços no aeroporto parecem cena de filme. Você mal pode acreditar que está finalmente matando a saudade daquelas pessoas que deixou para trás em busca de um sonho, em busca de si mesmo. Deitar na sua própria cama é das sensações mais reconfortantes do mundo inteiro. E comer comida brasileira (ah, a comida brasileira) te faz relembrar de todos os momentos em que ela fez falta.

Mas logo as pessoas começam a perguntar sobre os “planos para o futuro” e questionam se “pensa em voltar para lá?”. Elas não entendem que você não está pronta para responder nenhuma dessas perguntas. Já está sendo difícil o bastante tentar encaixar seu novo eu naquela realidade que por muito tempo não foi a sua. 

Eu tenho lido bastante sobre a “síndrome do regresso”, que toma conta de quem volta à terra de origem após uma temporada lá fora. Segundo o criador desse termo, o neuropsiquiatra Décio Nakagawa, a gente demora cerca de 6 meses para se adaptar à vida no exterior, mas a readaptação ao país natal pode levar até dois anos. Faz todo o sentido. 

Praticamente nada mudou em casa, enquanto você carrega um caminhão de transformações dentro de si e não faz a menor ideia de como lidar com elas. Às vezes eu acho que fui teletransportada para a mesma vida que tinha antes de viajar. Ou que o último ano não passou de um sonho. Pode ser sufocante voltar para sua cidade e sentir que não pertence mais àquele lugar.

Uma das primeiras coisas que fiz quando entrei no meu quarto depois de um ano morando na Irlanda foi separar uma pilha de roupas para doar porque elas simplesmente não combinava mais comigo. Que coisa louca, não é? Mudar tanto a ponto de não se identificar mais com as suas roupas antigas, que antes não eram problema nenhum.

E se eu já questionava o ideal que me vendiam como “único” e “certo”, hoje em dia isso só ficou mais forte. Para mim, a vida é mais do que estar em um relacionamento que vai terminar em casamento e filhos, ou se matar de trabalhar para ter uma casa e um carro (e olhe lá). A vida é feita de experiências. De memórias que a gente cria e ninguém pode nos tirar. 

Morar fora fez com que eu descobrisse o quanto o mundo é grande e que não é impossível explorar essa grandeza. Não está tão distante quanto eu pensava. Uma nova consciência se costurou em mim. Por isso é tão difícil misturar quem eu me tornei durante o intercâmbio com quem eu era antes dele. 

Mesmo com todos os perrengues, os micos, os desencontros, as decisões erradas (porque intercâmbio não é sinônimo de glamour), mesmo com tudo isso, viver em Dublin foi a melhor e mais desafiadora experiência de toda a minha vida. Estar em um lugar diferente, conhecer outra cultura, se virar em uma língua que você não domina. São coisas que eu gostaria que todos tivessem a oportunidade de vivenciar. E me sinto extremamente privilegiada por ter tido essa oportunidade. 

Sempre tive todas as respostas racionais sobre o porquê de estar voltando ao meu País, mas respostas racionais não tornam nada mais simples. Sei que se ficasse lá, seria por medo de enfrentar o incerto. Eu sabia que aquela realidade era temporária. A diferença é que hoje eu sei que todas as realidades podem ser temporárias quando se está em busca de algo mais.

Essa é a beleza de se permitir. Você descobre que é perfeitamente capaz de seguir suas paixões por mais que o mundo inteiro torça o nariz. Aprende a priorizar as coisas que ama. Treina os seus olhos para enxergar além. 

Por anos eu repeti uma frase que conheci assistindo ao seriado Felicity. “Se você está se sentindo perdida, vai se sentir perdida em qualquer lugar”. Sem dúvida, uma boa frase. Porém, pensando sobre tudo o que eu vivi no intercâmbio e depois de toda a auto-análise constante que voltar para casa tem me proporcionado, eu concluí outra coisa. Se o seu desejo é encontrar a si mesma, algo dentro de você vai te obrigar a continuar procurando. Não importa onde estiver. 

Mas é preciso dar tempo ao tempo. Eu sinto que todo mundo ao meu redor está esperando o momento em que vou estar totalmente adaptada e pronta para seguir adiante. Eu mesma me cobro isso diariamente. Não é algo que eu seja capaz de controlar. Talvez eu nunca esteja completamente presente de novo. Talvez eu nunca deixe de pensar em ir para outro lugar. Talvez eu fique. Talvez eu vá. Vocês podem perguntar, mas é como eu disse, ainda não estou pronta para dar todas as respostas. 

Fonte: Taryne Zottino

Instagram: @taryzottino


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